Apostila Formativa - Noviciado

  

Formação do Noviciado

ORDEM DOS FRADES MENORES - OFM


Aula 1- A natureza do Noviciado; Primeiros votos Franciscanos; Espiritualidade Franciscana

O Noviciado - O noviciado Franciscano é um tempo de preparação e vivência, no qual os noviços com seus primeiros votos experimentarão a forma de Vida de São Francisco. É um tempo de maior aprofundação na vida de nosso Pai Seráfico, e de observação dos nossos votos e espiritualidade.


Os votos – Os votos assumidos na profissão do noviciado, são essenciais para nossa vivência, assim considerados os três pilares do nosso Carisma, sendo eles:

  •  A pobreza: Consiste em nos desapegarmos dos bens materiais, em razão da felicidade não depender do ter, mas do ser. A felicidade de saber-se amado por Deus.
  • A obediência: Sabermos o nosso lugar de se colocar, obedecendo sempre aos nossos superiores, nos fazendo como verdadeiros e leais servos da nossa Ordem como um todo.
  • A castidade: Ser puro e viver somente para Deus, se dedicando totalmente a ele, abrindo mão de seus prazeres humanos para uma completa dedicação (este é o voto que proíbe, por exemplo, as “relações afetuosas” por parte dos Frades, pois devemos viver somente ao Pai).

Esses são os votos que devem assumir como noviços, e observá-los firmemente na vida de nosso Pai Seráfico. Embora alguns pareçam impróprios à nossa realidade habbiana, devemos sempre os manifestar através de nossa humildade; por exemplo, mostrar que estamos desapegados de bens, levando acima a evangelização e a conexão com Deus, razão em que se manifesta o verdadeiro sentido da Pobreza. O pobre em espírito é o homem agradecido, que não se considera construído por si mesmo, mas criado e sustentado pelo Pai.

Assim, devemos viver como um todo a espiritualidade Franciscana através do Regresso ao Evangelho, ser observante a ele, como São Francisco diz: "...o próprio Altíssimo me revelou que devia viver segundo a forma do Santo Evangelho".

Também sermos totalmente voltados a Jesus. O franciscanismo não é, primariamente, uma organização ou função, mas um encontro pessoal com Jesus.

É ser peregrino e hóspede com todos, levando o verdadeiro espírito missionário. É ser fraterno (esta forma de relacionamento não é reservada aos irmãos entre si, mas deve estender-se às outras pessoas e aos quatro cantos do mundo). Praticar a gratidão, e sempre e em todos os lugares louvar a Deus através desta gratidão, por tudo que nos tem concedido, tanto é que assim Nosso pai Seráfico louvava a Deus por tudo, por todas as coisas e objetos, principalmente voltado a Natureza, como se observa no Cântico das Criaturas no qual São Francisco louva a tudo aquilo que há na obra do Pai, voltado a natureza.

É com essa espiritualidade, voltado a tudo que é de Deus, que alcançamos a perfeita alegria, na qual contemplamos a Deus em todas as coisas. 



Aula 2: Simbologia Franciscana 

Toda Ordem religiosa traz consigo os seus símbolos que lhe são próprios, e que existem com a finalidade de não apenas representar a tarefa missionária daquele grupo, como também trazer de modo implícito o significado daquela missão. É muito importante que saibamos quais são as representações de uma Congregação antes de adentrarmos nela, pois desta forma teremos condições de interpretar as mensagens que são enviadas pelos membros daquela Ordem, bem como poderemos explicar ao leigo o que são e para que existem. 


O Brasão da Ordem 




O Brasão da Ordem ou o Stemma é um ícone, uma marca da Ordem. Foi popularizado na Idade Medieval, momento em que começaram a aparecer os Brasões: Familiares principalmente; a se tornar Brasões eclesiásticos no século XIII. Em nossa ordem é encontrado em várias das mais distintas propriedades: conventos, casas, obras, logradouros, nichos, oratórios e igrejas franciscanas. Nosso Brasão traz em sua essência o episódio em que São Francisco é estigmatizado; A Ordem Franciscana tem o seu brasão que mostra os braços e as mãos de Jesus Cristo e de São Francisco entrelaçados e fixados juntos num único prego, pois é um pacto indissolúvel com a vida de Jesus Cristo Crucificado, mostra que há uma fusão de vidas que são oferendas de Amor, e o Amor deixa marcas. O Amor se faz concreto no dia-a-dia, e constrói gestos de doação da vida, entrega e cuidado. É a fala do corpo ardente da caridade. Diz Tomás de Celano: “Homem novo, Francisco tornou-se famoso por novo e estupendo milagre: por singular privilégio, jamais concedido nos séculos anteriores, apareceu assinalado, ou ornado com os sagrados estigmas, configurando o seu corpo mortal ao corpo do Crucificado”. 

As marcas deixadas pelo Amor não são o sofrimento pelo sofrimento, mas sobretudo reconhecimento. Despojamento, humildade, sacrifício e dimensão penitencial estão unidos nos braços; um braço nu revela o Senhor Crucificado, o braço com hábito evidencia Francisco de Assis (que muitas vezes cruzou os braços neste modo para dar a bênção). Os braços entrelaçados de Cristo e de Francisco mostram que é preciso pôr mãos à obra! Ser uma nova criatura que se reveste de inspiração e ação.

As chagas mostram um caminho de radical mudança: se preciso for, sangrar pelo projeto de vida! As marcas de Cristo são, para toda a vida, trazer em si as marcas do Amor.

Os braços entrelaçados de Cristo e Francisco moldam uma identidade: o Corpo tem importância eterna porque traz sinais e gestos de Amor. O Senhor em mim e eu Nele, sangue do meu sangue! Jesus, Francisco e o Amor tornam-se Um para abraçar, tocar e abençoar a vida.


O hábito Franciscano


O habito Franciscano é a veste que nos caracteriza, que revela nossa presença missionária, este tenta remontar de diferentes formas as vestes usadas por São Francisco e seus discípulos. É algo muito variante dependendo em qual dos diferentes ramos de nossa Ordem se está (há diferentes colorações, e formas de ser apresentado). O hábito sai da mistura de diferentes tipos de lã, geralmente entre a mistura de lãs claras e escuras, com o intuito de remontar as antigas vestes que eram baseadas nessas colorações e referem-se a cor da terra, que é o mais humilde dentre todos os elementos, e o acinzentado que representa a penitência do pó que viemos. A OFM, em nosso orbe habbiano, oficializa entre várias das possíveis colorações as mais sóbrias, que não utilizam-se do HC o Marrom, Castanho e o cinza (que na realidade foi a cor mais difundida na ordem durante o século XVIII). Este hábito também possuí algumas outras variações, tais como o uso da Capa Franciscana junto a ele.

O hábito também possuí geralmente o formato semelhante a um Tau, de modo a recordar que o irmão menor deve exprimir em si os sofrimentos do mundo. As vestes de um frade são amarradas por uma “corda” (chamada cíngulo), que possui três nós significando respectivamente os votos de Pobreza, Castidade e Obediência a que submetem os frades. 


O Tau 


Se assemelha a uma cruz (geralmente de madeira usada como “colar” ou até mesmo como esculturas), e simboliza a conexão espiritual terrestre com a vida eterna, ou seja, o encontro entre os céus e a terra. Curiosamente também é a última letra do Alfabeto Hebraico. Possui, quando pendurado, também três nós simbolizando os votos. É um símbolo em sua essência Franciscano, mas que é adotado já como um símbolo missionário Mundial.

Aula 3: A regra da ordem

Será importante a você antes de realizar a profissão simples, conhecer as regras da ordem, afinal receberás elas durante o rito desta. Sendo assim apresentamos os dois modelos da regra:

REGRA NÃO-BULADA é o documento assinado por Frei Francisco de Assis e demais confrades da ordem dos minoris, escrita em 1221 que tem por finalidade, apresentar a forma com que o Altíssimo e Glorioso Deus revelou à nosso Pai Seráfico que Ele deveria seguir. “A Regra e vida destes irmãos é esta: viver em obediência, em castidade e sem propriedade e seguir a doutrina e as pegadas (cf. 1Pd 2,21) de nosso Senhor Jesus Cristo que diz: Se queres ser perfeito, vai (Mt 19,21) e vende tudo (cf. Lc 18,22) que tens e dá aos pobres” (RnB, I, 1-2) Na REGRA NÃO-BULADA consiste o espírito da comunidade dos pobres de Assis, tendo-a por parâmetro para a nossa vida. Foi reformada duas vezes antes de consistir no presente texto.

REGRA BULADA é o documento assinado pelo Papa Honório III em 1223 que tem por finalidade, aprovar o modo de vida de São Francisco de Assis e de sua comunidade de minoris. Sua Santidade, portanto, afirma a autenticidade do estilo de vida assumido por Francisco Bernadone, agora Francisco de Assis e dos nossos primeiros confrades. “A Regra e vida dos Frades Menores é esta: observar o santo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em obediência, sem propriedade e em castidade.” (RB, I, 2.) Na REGRA BULADA consiste o ideal central aprovado pela Sé Apostólica, tendo algumas alterações feitas pelo Cardeal Hugolino, com o espírito da primeira regra dos minoris, escrita por Frei Francisco e os nossos confrades em 1221, completando neste ano de 2021, os seus oitocentos anos.

Sendo assim é de suma importância que vocês noviços tenham conhecimento de ambas as regras, visto que transmitem nossa espiritualidade e confirmam como devemos agir em fraternidade. 

OBS: Por opção do formador, pode-se aqui fazer uma análise mais profunda de ambas as regras, proporcionando um maior engajamento ao noviço.


Referências:

[1] A riqueza da Iconografia Franciscana por Frei Vitório Mazzuco, OFM.
[2] O hábito Franciscano uma Curiosa história da veste Medieval – Brasil Franciscano.
[3] Introdução as Regras Bulada e não Bulada